Resumo
Este artigo analisa os impactos culturais, sociais e econômicos da produção da ópera La Bohème, de Giacomo Puccini, apresentada no mês de setembro de 2025 no Teatro Glauce Rocha, em Campo Grande (MS), Brasil. O estudo parte da hipótese de que eventos culturais de grande porte podem atuar como dispositivos de desenvolvimento territorial, ao mobilizar recursos culturais, estimular a economia criativa e ampliar o acesso da população a experiências artísticas de alta complexidade estética. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem de métodos mistos, combinando análise quantitativa de dados obtidos por meio de questionário aplicado ao público do espetáculo (n = 89) com análise qualitativa das percepções dos participantes sobre os impactos culturais e sociais do evento. Os resultados indicam elevada percepção de ampliação do repertório cultural, valorização da cultura no local e fortalecimento do sentimento de pertencimento territorial, além do reconhecimento do potencial turístico e econômico associado a produções operísticas na cidade. As descobertas dialogam com a literatura internacional sobre economia da cultura e indústrias criativas, que reconhecem o consumo cultural como vetor de bem-estar social e dinamização territorial. Como contribuição teórica, o estudo propõe um modelo analítico que interpreta a produção operística como dispositivo multidimensional de desenvolvimento territorial, articulando capital cultural, capital social e externalidades econômicas percebidas. Identificou-se que produções operísticas territorializadas podem fortalecer ecossistemas culturais locais e contribuir para estratégias de desenvolvimento cultural em cidades médias brasileiras.
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