Resumo
Este artigo analisa o papel das mídias sociais na circulação e ressignificação de saberes tradicionais, tomando o benzer como prática central de investigação. Reconhecido como patrimônio cultural imaterial, o benzer integra a memória coletiva brasileira, articulando espiritualidade, saúde popular e identidade cultural. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada em análise de conteúdo e entrevistas exploratórias, com recorte territorial em Campo Grande (MS), Portal da Rota Bioceânica. Os resultados revelam que, em âmbito nacional, benzedeiras utilizam plataformas digitais para recriar narrativas e ampliar a visibilidade de suas práticas, enquanto em Campo Grande o benzer mantém-se comunitário e presencial, ausente das redes. Essa ausência digital, longe de significar apagamento, expressa resistência às lógicas de mercantilização e reforça a centralidade da oralidade e da experiência vivida. Conclui-se que as mídias sociais oferecem tanto potencialidades de preservação e transmissão intergeracional quanto riscos de descaracterização cultural, evidenciando tensões entre globalização e tradição, mercantilização e salvaguarda, visibilidade e invisibilidade dos saberes ancestrais.
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