Dinâmica territorial da sífilis adquirida no Corredor Bioceânico de Mato Grosso do Sul, 2010-2023
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Palavras-chave

sífilis
vigilância epidemiológica
saúde pública
Corredor Bioceânico

Como Citar

CABRAL, Rodrigo de Lima; ANTERO, Leandro. Dinâmica territorial da sífilis adquirida no Corredor Bioceânico de Mato Grosso do Sul, 2010-2023. Interações , Campo Grande, v. 27, n. 1, 2026. DOI: 10.20435/inter.v27iesp.5120. Disponível em: https://www.interacoes.ucdb.br/interacoes/article/view/5120. Acesso em: 21 mar. 2026.

Resumo

A sífilis adquirida permanece como um importante desafio de saúde pública no Brasil, especialmente em contextos de intensa mobilidade populacional e transformação socioeconômica, como ocorre nos municípios inseridos no Corredor Bioceânico de Mato Grosso do Sul. Este estudo analisou a dinâmica temporal e espacial da doença com base em dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e em estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram incluídos municípios diretamente afetados pelo traçado do corredor, com o cálculo das taxas anuais e a avaliação do perfil sociodemográfico dos casos. A análise temporal evidenciou padrões heterogêneos: crescimento expressivo em Campo Grande, Bataguassu, Ribas do Rio Pardo e Sidrolândia, além de reduções significativas em Porto Murtinho após 2016. A distribuição espacial evidenciou a emergência de novos focos epidemiológicos, como Ribas do Rio Pardo e Guia Lopes da Laguna, enquanto localidades como Jardim e Bataguassu registraram quedas abruptas durante o período pandêmico. Predominaram adultos jovens, com medianas próximas de 30 anos, e maior proporção de homens e de pessoas autodeclaradas pardas. Os achados evidenciam a necessidade de estratégias de vigilância epidemiológica e de políticas públicas sensíveis às especificidades territoriais do Corredor Bioceânico.

https://doi.org/10.20435/inter.v27iesp.5120
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